Páginas

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Extração do DNA do morango


Os morangos que consumimos são plantas da espécie Fragaria ananassa. Estas plantas são Rosáceas, ou seja, são da mesma família das rosas que enfeitam muitos jardins. Elas se reproduzem principalmente por meio do estolão, que é um ramo que cresce paralelo ao chão, gerando brotos de novas plantas. As variedades de morangos que consumimos hoje são resultado de cruzamentos de espécies diferentes que ocorriam, naturalmente na Europa (França e Rússia) e nas Américas (Chile e Estados Unidos).
Uma das razões de se trabalhar com morangos é que eles se prestam muito bem à extração de DNA, porque são muito macios e fáceis de homogeneizar. Morangos maduros também produzem pectinases e celulases, que são enzimas que degradam a pectina e a celulose (respectivamente), presentes nas paredes celulares das células vegetais. Além disso, os morangos possuem muito DNA: eles possuem 8 (oito) cópias de cada conjunto de cromossomos.

Materiais (por grupo):

1. 1 saco plástico tipo "zip loc"
2. 1 morango (fresco ou congelado)
3. 10 ml de solução de extração de DNA (veja como fazer abaixo)
4. Aparato filtrante: 1 filtro de papel com funil ou 1 filtro de pano ou gaze
5. Álcool etílico gelado (pode ser álcool 70º g.l.)
6. 1 tubo de ensaio limpo
7. 1 bastão de vidro ou 1 palito de madeira (tipo pau-de-laranjeira, para manicure, encontrado em drogarias)

Preparo das soluções e outras notas sobre os materiais

• O saquinho tipo "zip loc" deve ser bem espesso. Quanto mais espesso mais resistente e geralmente os saquinhos utilizados para embalar comidas no freezer são apropriados.
• Os morangos podem ser frescos ou congelados. Se for usar morangos congelados, deixar descongelar completamente antes de realizar o experimento. Outras frutas macias como Kiwi ou banana podem ser usadas, mas não fornecem ao final tanto DNA.

Solução de extração de DNA (suficiente para 100 grupos)

• 100 ml de xampu (não contendo condicionador)
• 15 gramas de NaCl (sal de cozinha) = 2 colheres de chá
• 900 ml de água (H2O), de preferência mineral
• 50 ml de detergente podem substituir o xampu (de preferência sem corantes)
O álcool etílico (etanol) deve ser de, no mínimo, 90º g.l. e deve estar gelado.
Se for usar gaze, corte-a em quadrados e dobre em 2 camadas. Corte-a grande o suficiente para poder ficar presa no funil ou na boca do tubo.

Método (ou como fazer)

1. Coloque um morango, previamente lavado e sem as sépalas (as folhinhas verdes) em um saco zip loc.
2. Esmague o morango com o punho por, no mínimo, 2 minutos.
3. Adicione a solução de extração ao conteúdo do saco.
4. Misture tudo, apertando com as mãos, por 1 minuto.
5. Derrame o extrato no aparato filtrante e deixe filtrar diretamente dentro do tubo. Não encha totalmente o tubo (encha somente até 1/8 do seu volume total).
6. Derrame devagar o álcool gelado no tubo, até que o mesmo esteja cheio pela metade.
7. Mergulhe o bastão de vidro ou o pau-de-laranjeira dentro do tubo no local onde a camada de álcool faz contato com a camada de extrato.
8. Mantenha o tubo ao nível dos olhos para ver o que está acontecendo.

Resultados esperados:

Assim que os participantes derramarem o etanol gelado no extrato de morango eles começarão a notar fitas brancas muito finas de ADN, que se formarão na interface entre as duas camadas. Agitando-se o ADN que se formou na camada de etanol, este formará fibras como as de algodão, que grudarão no objeto que se está usando para misturar (bastão de vidro ou madeira).

O que acontece quando...

• Colocamos o detergente? O detergente presente no xampu ajuda a dissolver a bicamada lipídica que compõe a membrana plasmática e as membranas das organelas.
• Colocamos o sal? O sal ajuda a manter as proteínas dissolvidas no líquido extraído, impedindo que elas precipitem com o DNA.
• Colocamos o etanol? O ADN não é solúvel em etanol (álcool etílico).
Quando as moléculas são solúveis em um dado solvente, elas se dispersam neste solvente e não são, portanto, visíveis. Por outro lado, quando as moléculas são insolúveis em um dado solvente, elas se agrupam, tornando-se visíveis. Quanto mais gelado estiver o álcool, menos solúvel o ADN vai estar. Por isso é tão importante que o etanol seja mantido no freezer ou em um banho de gelo até a hora do experimento.
Bom experimento!

Bibliografia:
Retirado e adaptado de um método de Diane Sweeney a ser publicado em Biology:
Exploring Life, Pearson Education Arquivo pdf da extração de DNA de morango
Informações sobre as espécies de morango
Para saber mais você pode visitar também o site, em português, DNA VAI À ESCOLA.

VEJA TAMBÉM: http://www.bioinfo.ufpb.br/difusao/pdf/extracaodednademorango.pdf

quarta-feira, 2 de março de 2011

Você já pensou em enriquecer o conteúdo de citologia com seus alunos do 1º ano?

Construindo uma célula

Pegue um saco plástico pequeno daqueles usados com seladora de cozinha ou daqueles para comida congelada. Pegue outro saco bem maior, de modo que o saco pequeno represente o núcleo da célula e o saco grande a célula.
No saco pequeno coloque Karo marrom, ou qualquer outra solução que te ocorra que seja melosa e que tenha cor. O saco pequeno será o núcleo da célula, deste modo, escolha algo para simbolizar o DNA. Eu indicaria fios de uma linha colorida, bem emboladinho. Certifique-se que os fios aparecerão mesmo estando embebidos na solução de Karo. Feche o saco pequeno com a seladora.
Coloque o saco pequeno dentro do saco grande. Faça de modo que o saco pequeno não tenha espaço para se movimentar muito, dentro do saco grande, de modo que o núcleo da célula tenha uma posição mais ou menos definida. Mas não aperte demais, que é para não perder a fluidez.
No saco grande, coloque Karo transparente, simbolizando o citoplasma, ou outra solução semelhante que te ocorra. Escolha diferentes coisinhas para simbolizar as organelas. Por exemplo, chiclete Ping-Pong cortadinho com um estilete, ou mesmo inteiro pode ser a mitocôndria (coloque vários chicletes - uma célula tem várias mitocôndrias!), amendoim pequeno pode ser os ribossomos, uma bala pode ser o complexo de Golgi, purpurina espalhada pode representar as proteínas e por aí vai. Feche o saco grande com a seladora.
É interessante que os alunos escolham os materiais de acordo com a forma das organelas. É importante também que eles percebam a fluidez do citoplasma, como as coisas se movem e como o núcleo fica relativamente isolado do resto e protegido por uma membrana. Agora talvez eles deixem de imaginar que a célula é apenas … "como uma laranja onde se fez um corte transversal.." e perceberão melhor a dinâmica do processo.
Boa sorte!!
Produção:THE GENE SCHOOL
Adaptação: O DNA VAI À ESCOLA!